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Entre setembro de 2009 e agosto de 2010, escrevi um tomo de 200 páginas ao qual chamei de “Volúpia”. Em comemoração à primeira impressão dele, aqui está a sinopse do texto. E aguardem, pois ele brevemente será publicado!

No Colégio Erico Verissimo, tradicional estabelecimento da Vila Maria (zona norte de São Paulo), estudam nossos quatro protagonistas: Paulo, Armando, Danielle e Samantha. No início do livro, Paulo e Armando são melhores amigos, assim como Danielle e Samantha. E, claro, o coração de Paulo bate mais forte por Danielle. Assim como o de Armando por Samantha.
Se fosse uma história de amor trivial, daria pra enrolar um pouco, juntar os dois casais e decretar fim do livro. Mas não é simples assim: a cada capítulo, há um novo desdobramento da narrativa, um novo conflito a ser desvendado.
O texto é permeado por tiradas irônicas, humor impiedoso e críticas ferinas à sociedade moderna, com o intuito de provocar reflexão no leitor.

Todos os dias, ao levantar da cama, sei que vou enfrentar mais um dia de 18 horas. Disso eu tenho certeza. O que eu nunca sei é como eu vou terminar esse dia (isto é, com que tipo de humor). Já teve dias de eu levantar com vontade de não falar com ninguém e acabar tendo um dia maravilhoso. E já teve dias do meu humor ir se deteriorando até o ponto de, no final do dia, eu não conseguir forças pra juntar as lágrimas e chorar.
Em 75% do tempo (mais ou menos), eu estou apenas “morto”. Isto é, sem estar “no fundo do poço”, mas sem ter motivos reais pra sorrir. Alguns moralistas (chatos) vêm e, “ah, você tem pai, tem mãe, tá estudando numa boa universidade, tem um emprego”. Concordo, desse ponto de vista, minha vida poderia ser muito pior. Mas… sabe aquelas coisas que fazem você se sentir minimamente feliz? Ou melhor, que te deixam com vontade de continuar? Com esperança de que dá sim pra melhorar? Então. Essas coisas estão me faltando.
O que eu sinto é difícil de expressar por palavras, e é uma experiência que eu não desejo nem à mais vil das pessoas. É uma apatia colossal, uma indiferença tremenda diante da vida. Uma questão de “continuar vivendo apenas por não ter outra opção”. É o exercício diário de passar algum creme mágico no rosto que esconda o que se passa por trás dele. E nunca conseguir realmente chegar a um estado onde eu possa falar, sem mentiras ou simplificações, que eu “estou bem”.

Tenho o sincero medo de terminar como Richard Cory — que “Went home and put a bullet through his head.”

(O título é de uma música da dupla folk Simon & Garfunkel. Richard Cory é um poema, que foi musicado pela mesma dupla.)

Já não é a primeira vez que eu digo isso, mas tornarei a repeti-lo todas as vezes que julgar necessário. É imperativo que eu pare de levar a sério esse lance de romantismo. Dê risada, eu mereço; isso não leva a nada a não ser a dor. Tava conversando ontem com o Renan (ah, sempre ele, o único que ainda tem paciência pra ficar me ouvindo!) e confessei a ele, (praticamente) nesses termos:

– Renan, outro dia tava eu no meu quarto, o notebook ligado no som, e eu deitado na metade direita daquele meu travesseiro enorme, sobre a minha cama. Tava tocando I Won’t Hold You Back, do Toto (essa faixa que eu coloquei do YouTube no embed desse post), e eis que ela se materializa aqui do meu lado, dormindo, com a cabeça sobre o meu peito. Meu, se ainda fosse alguma cena de sexo que eu imaginava… Mas não, porra!

E, sempre que eu ouço I Won’t Hold You Back, essa imagem tridimensional, tão ideal, quase real dela se repete. Esse sonho meu de tê-la ao meu lado, seja na cama ou em qualquer lugar, já se torna antigo, ainda que em cada novo capítulo desta novela ele se torne mais irrealizável. A próxima frase é mais uma citação (quase) direta minha, dirigindo-me novamente ao Renan.

– O que ela mexeu comigo em três horas e meia, Renan, a minha ex não fez em três meses e meio.

É espantoso o encantamento que ela exerce sobre mim. E parece que nada me faz arredar. Nem mesmo aquela garota que, pra ser perfeita, só faltava morar na outra ponta da Via Dutra. Nem mesmo espírito! Aquele encantamento etéreo, que emana por todos os poros daquela tez, aquela que eu já toquei, que eu já beijei e daria tudo para poder voltar a sentir!

Os versos podem dizer o que quiserem, a poesia que se lasque numa hora dessas! Eu só quero minha garota ao meu lado! Enquanto não posso sentir o sutil aroma de seus cabelos, continuo estático mirando a imagem ao meu lado e apenas respirando: não tem mais o que fazer. É bom demais para querer esquecer, e é ruim demais para dizer que é indiferente.

Então assim permaneço, com uma música nos ouvidos, um desejo no coração, uma imagem na cabeça e absolutamente nada de concreto nas mãos…

Desisti há muito de conter meu ímpeto romântico. Sério. Já se tornou parte de mim a tortura platônica. Tanto que, quando dou pela coisa, estou com uma foto dela (a garota, não a tortura) bem grande estampada no display de cristal líquido do meu notebook. Quando finalmente percebo, estou sonhando com ela dormindo candidamente em meus braços. Não é algo superficial, que a próxima garota bonita que passar na minha frente. Aliás, vou ser sincero contigo: ela não é uma gata de parar o trânsito. Eu outro dia falei pra Aline isso, que — citação direta minha, eu falei isso mesmo — “Aline, pra ser bem sincero, por exemplo, você é muito mais bonita do que ela.” (Minha honestidade me espanta às vezes.) Vejo todo dia lá na Vila Mariana no mínimo uma meia-dúzia de garotas da Belas-Artes passando bem diante dos meus olhos que são muito mais bonitas do que ela. Mas nenhuma delas têm aquele feitiço oculto que me mantém cativo há quase um ano. Sexo? Não, é algo mais profundo do que isso. Se fosse algo nas linhas de “quero que ela dê pra mim” (desculpem o palavreado, mas tem vezes que eu preciso usar o português bem claro), não durava nem a metade, nem teria tal intensidade.

Tentando pateticamente emular a distante presença dela, meu pequeno computador ainda exibe a mesma imagem. Apoio a máquina em cima da minha perna, coloco alguma música qualquer pra tocar (baixo, pra não acordar meio mundo) e recordo os bons momentos, ainda que turbulentos, que com ela passei. Ah, pudesse eu, teria feito tudo diferente, ainda que com resultados igualmente desastrosos!

O que substituiria um toque daquelas mãos?…

Nada.

Por último: estou ficando a cada dia mais piegas e repetitivo. Bah, que bosta! Acho que é hora de tomar vergonha na cara, ouvir “Eminence Front” e escrever meu novo livro.

Tento com toda determinação possível me convencer de que não posso gostar dela, que foi apenas um momento no tempo que nunca existiu. Foi só ilusão da minha cabeça.

Mas, quem disse que a minha essência me dá trégua? Existe algum tipo de força que é maior do que eu, e sempre me faz voltar ao princípio.

E, quando eu menos espero, lá estou eu, de frente pra ela, novamente admirando aquela perfeição perversa, que só de pensar, já me deixa com a respiração acelerada. Quando dou pela coisa, já estou há um bom tempo mapeando cada nuance daquela escultura divinamente talhada

E é sempre assim! Toda vez que eu acho que vai ser diferente, que eu vou conseguir finalmente superar… Bang.

Nas últimas semanas, ando experimentando como é estar no fundo do poço emocional. Sabe quando a sua vida tá uma merda e nada dá certo, não tem nada pra te fazer dizer que vale a pena viver? Então, é nesse estágio que estou.

Há um ano atrás, eu estava relativamente bem: tinha passado numa faculdade top, estava namorando (e gostando), fiz as pazes comigo mesmo… Minha vida não era um mar de rosas, mas eu nem esperava que fosse — sempre há alguma aresta que não pode ser aparada.

Tijolo a tijolo, o quadro ia desmoronando. Sucessivas brigas com a namorada por um motivo aparentemente tolo (it’s not that simple) me deixaram em ponto de ter que terminar. A faculdade começou a gerar uma série de desilusões. O descaso na minha casa manteve-se latente.

No começo desse ano, veio um morale boost muito bem-vindo: arrumei meu primeiro emprego, cheio de desafios novos, pessoas legais, coisas pra fazer!

E o resto se deteriorando a cada dia.

Quando esse último fio de motivação começou a se partir, vi o ponteiro que indica meu estado emocional voltar rapidamente à linha vermelha, e ali se manter, tornando cabal meu fracasso, em todos os sentidos. E cheguei a um ponto em que isso é extremamente perigoso.

Agora é só engatar o D e pisar fundo no acelerador.

É incrível como, mesmo estando deprimido, consigo escrever. Essas são coisas que me passaram pela cabeça, muito recentemente.

Ao longe, observo seu corpo.
Mas olho com certa culpa,
Certo remorso, certo pesar.
Por que me é proibido te amar?

Chegando em casa, olho pra fora.
Tento fazer essa paixão ir embora,
Faço de tudo para me esquecer.
Quem dera um dia poder te ter.

Nos meus sonhos, você aparece.
Tento evitar, mas o desejo cresce,
Me prende, me consome.
Que vontade de matar essa fome!

Para a Karina e a Barbara, que acho que vão gostar de ler um post novo. Ei-lo. Mas está ruim demais.

Sendo designer gráfico, é minha obrigação saber mexer no famigerado Adobe Photoshop, aquele programa que (dizem que) faz milagres nas mulheres. (Isso não é tão verdade assim. Explico outro dia.)

Se eu sair na rua parando vários homens pra perguntar “Que mulher pra você é um padrão de beleza?”, a resposta provavelmente vai ser ou uma atriz, que se insinua em cenas de sexo implícito na novela das oito, ou uma modelo tal. (Ou, já que anda na moda, uma ex-modelo pode também ser a resposta.)

E que aconteceu com a girl next door, aquela menina que você vê todo dia pegando as cartas na porta de casa, sem maquiagem nenhuma, sem nenhum tipo de arrumação especial no cabelo, et cetera e tal? Fácil: não passou pelo Photoshop. E, por isso, merece ser desconsiderada. Certo?

ERRADO. Será que não é óbvio o quanto a “beleza” destas mulheres inatingíveis na mídia de massa é uma coisa fabricada para que a mulher “cotidiana” se sinta “feia” e vá comprar tal produto de beleza, roupas da marca tal, e por aí vai?

E isso funciona. Tenho algumas amigas — é, no plural mesmo — que se acham “horríveis” (no sentido de beleza). E não são, tem uma delas que não precisou de duas horas pra eu me apaixonar. (É, eu sei, acabo me apaixonando fácil, e tal.)

Agora, vai perguntar pra uma lourinha bonitinha como resolver uma derivada…

 

Até quando vai durar essa Era da Imagem e esse buraco-negro do que é “ser interessante”(?)

Por que eu ainda insisto?
Por que eu ainda sonho, projeto, tento realizar?
É inútil. Vão. E serve apenas pra me deixar mais deprimido ainda.
Mas, como bom sonhador, como bom romântico, como bom apaixonado, não posso deixar de tentar.
Ainda que aos poucos isso me corroa, me envenene, me mate, é meio que meu dever continuar.

Afinal, de que serve um coração se não tiverem emoções para chacoalhá-lo?

De que adianta ter uma vida pela frente se o que me espera é apenas o pior dela?
Não preciso mais querer justificar minha existência. Todas as minhas tentativas até hoje foram infrutíferas.
De que adianta ter uma mente brilhante se ela não serve pra absolutamente nada?
Basta de ilusão, chega de querer ver coisa boa onde não tem nada positivo.
De que adianta ser diferente em um mundo onde isso é visto negativamente?
Pior do que isso é não conseguir de forma alguma reverter à “normalidade”.

Dado que ninguém vai sentir falta mesmo, não vejo motivo nenhum que me prenda a este mundo.
Assim, peço que não parem nem por um segundo para derramar lágrimas sobre meu corpo.
Não mereço isso. Sigam normalmente suas vidas, como se eu nunca tivesse existido.
Não guardem memórias minhas. Elas não servirão pra mais nada mesmo.

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