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Monthly Archives: outubro 2010

Eu sei, o título é clichezão, mas o texto que o sucede nada tem a ver com isso.

Eu poderia agora começar a enumerar uma série de coisas ridículas pseudo-legais e, quiçá, até pagar o imensurável mico de efetivamente realizá-las. Mas não vou me dar a esse trabalho. Com certeza vou morrer antes de chegar à primeira.
Podem chamar de pessimismo essa minha última frase, mas peço que não levem a mal. Nos últimos tempos, venho entendendo alguns dos motivos que, quando desabam simultaneamente sobre alguém, podem levar um ser humano ao ponto de encerrar sua própria existência.
Embora por várias vezes tenham me ocorrido – especialmente nos últimos dias – pensamentos desse tipo, sempre tentei dissipá-los, tentando convencer-me de que a vida ainda vale a pena. Mas quando ela sente prazer em testar você, em fazer tudo dar errado pra ver como você reage, tem uma hora em que você não consegue mais aceitar a vã justificativa de que um dia vai dar tudo certo…

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Escrito em parceria com @Mirane2, aka Mirane Campos.

Hoje é dia das crianças!

Ei, peraí. Que crianças?…

— Oi? Que crianças?

Pois é. Não tem mais crianças.
O que você tem é seres humanos de cinco, seis anos, transformados pelos adultos em miniaturas à sua imagem e semelhança.
Deixando de brincar na rua pra ficar em frente a uma televisão ou um computador, assistindo à idade passar apenas como espectadores passivos, estáticos.

Dia das crianças… As crianças que deixam de ser crianças para terem outras crianças. As crianças que, em vez de aproveitar o fato de serem crianças, gostariam o mais rápido possível de deixar de ser crianças.

— Mas ainda há as crianças que existiram e se recusaram a crescer…

Até que ponto você pode se considerar criança? Depende. Até que ponto pode-se considerar uma criança como sendo uma criança? Não sei. Nunca saberei, porque sempre que eu achar que encontrei um patamar, vai ter alguma coisa pra me fazer voltar e revisar esse dado.

— Se formos pensar sempre assim, jamais saberemos ou conseguiremos definir nada, o que é o mais correto.

Deixa estar. Talvez seja melhor não tentar encontrar uma definição. Talvez seja melhor olhar para trás, para o tempo em que crianças apenas se preocupavam em ser… crianças (em vez de querer saber qual é o último videogame, ou a última moda de algum cantorzinho teen fabricado por computador).

— Mas não podemos julgar também. As crianças de hoje são crianças à maneira delas, mesmo que pareça “errado” ou “idiota” pra nós.

Será que os tempos mudaram? Com certeza. Somos uma espécie em constante alteração, certo? Talvez a simplicidade de outrora tenha cedido lugar aos fios e cabos de um computador ou coisa do tipo. Ou talvez seja só eu ficando velho e achando que todo mundo tinha que ser igual a mim.

— A gente sempre faz isso, achar que deveriam ser como nós fomos, mesmo que por reflexo. Ou também achar que antigamente era melhor.

Talvez, quem sabe, tenha sido mesmo. Ou, por outro lado, quem sabe se a época corrente não é o que há de melhor? Não posso, infelizmente, ter vivido sob os dois cenários. Se pudesse, com certeza traria pra você uma comparação detalhada. Mas… Ah, deixemos de pensar nisso. Talvez seja melhor voltarmos a ser simplesmente…

Crianças.