Skip navigation

Monthly Archives: julho 2011

Todos os dias, ao levantar da cama, sei que vou enfrentar mais um dia de 18 horas. Disso eu tenho certeza. O que eu nunca sei é como eu vou terminar esse dia (isto é, com que tipo de humor). Já teve dias de eu levantar com vontade de não falar com ninguém e acabar tendo um dia maravilhoso. E já teve dias do meu humor ir se deteriorando até o ponto de, no final do dia, eu não conseguir forças pra juntar as lágrimas e chorar.
Em 75% do tempo (mais ou menos), eu estou apenas “morto”. Isto é, sem estar “no fundo do poço”, mas sem ter motivos reais pra sorrir. Alguns moralistas (chatos) vêm e, “ah, você tem pai, tem mãe, tá estudando numa boa universidade, tem um emprego”. Concordo, desse ponto de vista, minha vida poderia ser muito pior. Mas… sabe aquelas coisas que fazem você se sentir minimamente feliz? Ou melhor, que te deixam com vontade de continuar? Com esperança de que dá sim pra melhorar? Então. Essas coisas estão me faltando.
O que eu sinto é difícil de expressar por palavras, e é uma experiência que eu não desejo nem à mais vil das pessoas. É uma apatia colossal, uma indiferença tremenda diante da vida. Uma questão de “continuar vivendo apenas por não ter outra opção”. É o exercício diário de passar algum creme mágico no rosto que esconda o que se passa por trás dele. E nunca conseguir realmente chegar a um estado onde eu possa falar, sem mentiras ou simplificações, que eu “estou bem”.

Tenho o sincero medo de terminar como Richard Cory — que “Went home and put a bullet through his head.”

(O título é de uma música da dupla folk Simon & Garfunkel. Richard Cory é um poema, que foi musicado pela mesma dupla.)

Anúncios