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Monthly Archives: janeiro 2012

Depois do post irado descrevendo “o que eu mais odeio no Metrô”, acho justo contar o que eu mais gosto no Metrô. Bem, pra início de conversa, sou um aficionado pelo Metrô de São Paulo, um verdadeiro “metrófilo”. Sei as siglas de boa parte das estações de cor (essas siglas são usadas principalmente para comunicação interna na Companhia do Metrô), conheço os modelos de trens do Metrô (e sei diferenciar um Mafersa de um Cobrasma) e um dia ainda hei de visitar o CCO (Centro de Controle Operacional do Metrô, na Rua Vergueiro, de onde o tráfego metroviário paulistano é gerenciado). Então lá vai:

1. Os funcionários são sempre cordiais.

Sempre que eu precisei pedir informações aos colaboradores do Metrô eu fui bem atendido. Não consigo me recordar de uma única vez em que eu saí insatisfeito de uma estação por causa disso.

Nota indiscreta: com esse programa Jovem Cidadão que o governo está promovendo, não é raro eu ver algumas “beldades recorrentes” nas estações… Bem, melhor não falar muito pra namorada não chiar…

2. A limpeza é impecável.

O Metrô está sempre limpo porque ninguém joga lixo, ou ninguém joga lixo porque está sempre limpo? Não importa: numa cidade que parece jogada às traças, é de espantar que um meio de transporte público tenha um padrão tão alto de limpeza.

3. O Metrô está bem integrado à cidade (e vice-versa).

Em quase todo lugar da cidade tem ônibus que vá para alguma estação do Metrô (ou da CPTM). Com isso, é fácil acessar a rede metroferroviária. Isso quando não há um terminal de ônibus na estação (como temos em Ana Rosa, Vila Mariana, Santana, Belém, Brás e Barra Funda, para citar alguns exemplos). Em geral, as estações de Metrô concentram ao seu redor vários tipos de comércio e serviços, tornando as estações ponto de referência para a cidade.

4. A rede está crescendo!

Essa Linha 4 tá uma beleza! E, quando a 5 for estendida até a Chácara Klabin (depois de 10 anos de espera!), o sistema metroferroviário da capital se configurará como uma rede bem estruturada e conectada. A CPTM também está trabalhando em novas linhas. E, falando no assunto…

5. Diminui a poluição.

Não sei dizer com precisão em quantos por cento, e nem pesquisei isso formalmente, mas, devido à eficiência dos motores elétricos utilizados no material rodante do Metrô e da CPTM, tenho certeza que a pegada de carbono destes meios de transporte é bem menor que a deixada pelos ônibus a diesel da cidade.

6. Metrô é uma aula de arquitetura e engenharia.

Vocês viram que beleza é a Estação Tamanduateí? E a Alto do Ipiranga (minha favorita)? E a Santo Amaro (que é uma ponte estaiada)? E a Butantã, da novíssima Linha 4? As primeiras estações do Metrô (da Linha 1) não são bem o padrão de beleza que temos hoje (embora, na época de sua construção, os anos 70, a chamada “arquitetura grosseira”, com seus edifícios de concreto aparente, estivesse em voga, alinhando as estações ao padrão estético daquele tempo), mas as soluções de arquitetura e engenharia empregadas no Metrô são muito eficientes. (Aliás, cabe aqui um exemplo: parte da ventilação da Estação Consolação, da Linha 2, vem direto da calçada da Avenida Paulista que passa por cima dela, através de duas grades enormes de ferro que cobrem poços de uns 15m² que vão da calçada ao mesmo nível da linha de trem.) Aliás, vocês já foram conferir os painéis da Tomie Ohtake na Estação Consolação? (Dica: ficam atrás da linha de trem, sentido Vila Prudente.)

7. O Metrô é seguro.

Com tantas câmeras e agentes de segurança na rede inteira, sinto-me seguro nas estações e trens do sistema (isto é, sem receio de assalto, sequestro, arrastão, essas coisas). Se a cidade inteira fosse desse jeito, eu até poderia pensar em comprar um tablet e sair com ele por aí. (Ainda assim, não sinto-me seguro o suficiente, por exemplo, pra usar um notebook no trem.) Falando em segurança, acidentes na rede ocorrem com menos frequência que acidentes aéreos. E nunca precisei utilizar o sistema de saídas de emergência do Metrô (e lá se vão 13 anos usando este meio de transporte).

Bonus track: A frota está sendo modernizada.

Eu pessoalmente preferiria que estivessem sendo comprados mais trens para o Metrô, mas não acho ruim que o governo tenha resolvido fazer um retrofitting geral nas composições Budd (os trens antigos da Linha 1), Cobrasma e Mafersa (que são a frota antiga da Linha 3). O interior deles está ficando bem parecido com os novos trens CAF que estão chegando da Espanha. (Gosto do interior dos CAF, é bem aconchegante. O interior dos Alstom XVI da Linha 2, naqueles tons de verde, é muito frio.) E os displayzinhos mostrando data, hora e próxima estação são uma sacada legal. Agora, aquela voz gravada é meio ruim… Tem operador (e tem operadora) cuja voz é bem melhor que aquela!

 

EDIT: Alguém sabe onde está aquele estudo extremamente extenso da Hochtief-Montreal-Deconsult, feito em 1969 para a Companhia do Metrô? Ouvi falar que ele foi parar na USP. Também gostaria de saber mais sobre o Ramal Moema — que foi que aconteceu pra pararem a construção dele?

Em sua essência, o Metrô (e sua “prima pobre”, a CPTM) é uma maneira rápida e eficiente de se mover pela cidade, eliminando o problema do trânsito caótico no município e tendo uma pegada de carbono bem menor que os ônibus (e carros). Sendo passageiro diário do Metrô de São Paulo, acabei adquirindo algumas birras com o meio de transporte, todas elas solucionáveis. E aqui vão elas:

1. Gente que fica parada na escada

Existem escadas fixas, certo. Mas subir (e descer) a escada rolante “manualmente” é muito mais rápido. Pra mim, que “ando correndo”, isso é ótimo. Em todas as escadas rolantes do metrô, tem um aviso que diz mais ou menos assim: “Mantenha-se à direita. Deixe a esquerda livre para circulação.” Então eu vou descendo a escada rolante na maior velocidade e eis que, PARA TUDO! E para logo, senão você vai atropelar um mané que tá lá parado na esquerda. E a maioria nem percebe que você tá com pressa e tem o bom senso de ir para a direita, livrando o caminho. Só a título de curiosidade, na Espanha ninguém faz isso. Pelo simples fato de que ficar parado na esquerda dá multa.

2. Gente que fica ensebando na saída da escada rolante

Quando eu era menor, frequentava um clube com um toboágua, cuja placa de normas de segurança dizia claramente: “quando cair na área de chegada, saia o mais rápido possível”. Na escada rolante é a mesma coisa: chegou no “andar de destino”, ande um pouquinho mais rápido só pra sair da “boca” da escada. Porque as escadas não param, e continuam jogando gente na área de chegada mais rápido do que elas saem: no horário de pico, em pouco tempo, isso pode gerar alguns atropelamentos…

3. Gente que não espera o desembarque

OK, sobrevivi às escadas rolantes, à linha de bloqueios (que não costuma ter grandes problemas) e finalmente cheguei à plataforma. Quando o trem chega, sempre tem gente querendo desembarcar. Em vez do povo abrir espaço pro desembarque ser o mais rápido possível, possibilitando um embarque mais ágil, não: fica aquele amontoado de gente em frente à porta do trem, e o desembarque demora mais… Parece que o povo não pensa!

4. Gente que segura as portas do trem

Tuuuuuu! A campainha já é bem conhecida de todos: as portas vão se fechar. O intervalo entre os trens do Metrô de São Paulo, conhecido como headway, é um dos menores do mundo. Que tal, em vez de segurar a porta pra mais uma pessoa entrar, deixá-la esperando só mais um pouquinho? Ninguém se atrasa só por causa desse pequeno detalhe (e deixar algo tão pequeno e previsível causar um atraso maior é uma baita falta de planejamento por parte do passageiro). Um dos principais motivos de diminuição de velocidade no Metrô é justamente o povo que fica segurando porta de trem. Tanto que a Companhia do Metrô anda fazendo campanhas de conscientização (que ninguém dá a mínima, convenhamos) sobre isso.

5. Anda, para, anda, para, anda, para

Este ponto está intimamente ligado com os dois anteriores. Eu uso todo dia a linha 2, e entre as estações Chácara Klabin (CKB) e Ana Rosa (ANR) fica um anda, para, anda, para, anda, para. O motivo? A integração com a linha 1 nas duas estações seguintes: ANR e Paraíso (PSO). Aí fica aquela turba, que não espera o desembarque antes e ainda segura as portas do trem. Não fosse isso, com certeza os operadores não teriam a necessidade de parar entre CKB e ANR…

Bonus Track: Pixação nos trens da CPTM

Eu costumo usar apenas a linha 10 da CPTM, e os trens série 2100 que trafegam por ela não são os mais bonitos (embora eu os ache bastante confortáveis). Agora, a turba não ajuda! Em todos os vidros e em boa parte das paredes internas dos TUE 2100 você vê uma pixação feita a estilete. O povo quer mais trens, quer trens mais novos? Faça por merecer! A CPTM andou trocando os vidros dos 2100, fazendo uma pintura externa com a nova identidade visual da companhia, revitalizando os tecidos dos bancos (que vivem cheirando a mofo, embora sejam bonitos — que pena!) e removendo as pixações das paredes dos carros. Agora, não seria ótimo se esse dinheiro que está sendo gasto para a reforma do material rodante existente fosse utilizado para compra de novas composições? Isto diminuiria o headway da CPTM (que é bastante alto) e traria mais conforto aos usuários. De novo: parece que o povo não pensa!

[Editado para aprimorar a clareza do texto.]